Nutrição e saúde do cérebro: os melhores alimentos para o seu cérebro
Aviso: não sou nutricionista. Nem perto disso. Sou uma pessoa comum que ficou curiosa sobre por que alguns dias o meu cérebro está afiado e outros parece embrulhado em algodão.
Tem dias em que jogo jogos mentais e minhas pontuações são ótimas. Estou concentrada, rápida, tudo se encaixa. Meu tempo de reação está sólido, meus jogos de memória vão bem. E tem dias em que mal lembro o meu nome e as pontuações são… digamos que não são boas.
Então comecei a prestar atenção. O que mudava? Sono? Estresse? Ou… comida?
Sou meio obsessiva com isso, então comecei a anotar. O que comia, como me sentia e as pontuações. Mantive um caderninho por uns 3 meses. Também li estudos de nutrição demais, porque não tenho autocontrole com tocas de coelho de pesquisa.
Depois de tudo isso, foi o que tirei em limpo. Leve com um grão de sal (trocadilho intencional).
O cérebro tem fome
O seu cérebro é só cerca de 2% do seu peso, mas usa cerca de 20% da sua energia. É muito. E é exigente com o tipo de combustível que quer.
O cérebro funciona sobretudo com glicose, mas nem toda glicose é igual. Uma barra de chocolate dá um pico rápido e depois a queda. Carboidratos complexos dão energia estável. A diferença é enorme.
Alimentos que ajudam
Vou começar pelo bom: alimentos que parecem melhorar de verdade o meu desempenho cognitivo.
Peixe gordo (o do bem)
Salmão, cavala, sardinha: cheios de ômega-3. Eu nem sabia o que eram ômega-3 até pesquisar, mas ao que parece o seu cérebro é uns 60% gordura e os ômega-3 são boa parte disso.
Passei a comer salmão umas duas vezes por semana (o congelado, porque não sou feita de dinheiro). E sabe de uma coisa? Senti diferença. Mais foco. A memória parecia mais afiada.
Fui checar e sim, há pesquisa apoiando isso. Ômega-3 está ligado a melhor função cerebral.
Mirtilos (o meu favorito)
Essas frutinhas são um estouro de antioxidantes. Tive que procurar o que os antioxidantes fazem (combatem radicais livres), mas o ponto é que são bons para o cérebro.
Como mirtilo quase todo dia agora. Às vezes fresco (na época, quando não custa uma fortuna), às vezes congelado (bem mais barato e, sinceramente, igual de bom). Coloco na aveia ou como de lanche.
Sei se é placebo ou real? Não. Mas me sinto mais afiada quando os como com regularidade. E há estudos mostrando que ajudam a memória, então vou nessa.
Castanhas e sementes
Nozes, amêndoas, sementes de abóbora: cheias de gorduras boas, proteína e nutrientes que apoiam a saúde do cérebro.
Mantenho um pote de castanhas variadas na mesa. Quando bate a fome, pego um punhado. É melhor que salgadinho, e reparo que penso com mais clareza depois.
Chocolate amargo
Sim, sério. Chocolate amargo (70% de cacau ou mais) tem flavonoides que podem melhorar o fluxo de sangue para o cérebro. Além disso tem um pouco de cafeína, que ajuda no estado de alerta.
Não estou dizendo para comer uma barra inteira, mas um ou dois quadradinhos ajudam mesmo. Guardo um pouco na gaveta para a moleza da tarde.
Folhas verdes
Espinafre, couve, brócolis: cheios de vitaminas e antioxidantes. Estudos os ligam a um declínio cognitivo mais lento.
Tento comer uma salada grande no almoço na maioria dos dias. Nem sempre é empolgante, mas me sinto melhor mentalmente.
Grãos integrais
Aveia, arroz integral, quinoa: fornecem glicose estável ao cérebro. Sem picos, sem quedas, só energia constante.
Começo quase todas as manhãs com aveia. Me mantém concentrada a manhã toda sem a queda que os cereais açucarados me davam.
Alimentos que atrapalham
Agora as más notícias: alimentos que parecem fazer o meu cérebro funcionar pior.
Alimentos açucarados
Doces, refrigerante, salgados de padaria: dão um empurrão rápido e depois a queda. E a queda é real. Já testei: minhas pontuações são consistentemente piores depois de açúcar.
Ultraprocessados
Qualquer coisa numa caixa com uma lista de ingredientes enorme. Costumam ter muito açúcar, gordura ruim e aditivos. Me deixam com a cabeça pesada.
Cafeína demais
Um pouco de cafeína ajuda. Demais me deixa agitada e dispersa. Aprendi a me limitar a 2–3 cafés por dia, no máximo.
Álcool
Até uma dose afeta o meu desempenho cognitivo no dia seguinte. Não estou dizendo para nunca beber, mas evito quando preciso estar afiada.
A questão do horário das refeições
Quando você come importa quase tanto quanto o que você come. Eu reparei que:
- Tomar café da manhã ajuda o meu foco de manhã
- Um almoço leve evita a queda da tarde
- Comer muito perto da hora de dormir estraga o meu sono, e isso estraga o meu cérebro no dia seguinte
O que eu como de verdade (na maioria dos dias)
Um dia típico é mais ou menos assim. Não estou dizendo para copiar — cada pessoa é diferente — mas funciona para mim:
Café da manhã: aveia com mirtilos e nozes, mais café (óbvio). Uso o instantâneo porque de manhã sou preguiçosa.
Almoço: normalmente uma salada grande com alguma proteína. Frango ou peixe, dependendo do que tem. Às vezes pulo o pão, às vezes não. Não sou perfeita.
Lanche da tarde: castanhas variadas se estou com fome de verdade, ou chocolate amargo se estou só entediada e quero algo doce.
Jantar: algo com verdura e proteína. Não cozinho bem, então costuma ser simples. Frango grelhado e legumes assados, ou peixe e salada.
À noite: tento não comer depois das 19h, mas às vezes falho. Se tem pizza, eu como pizza. Sou humana.
Não é perfeito. Não sigo à risca. Tem dias que como mal e tudo bem. Mas quando me mantenho nisso, me sinto mais afiada. As pontuações são melhores. O foco é melhor.
Água (a chata)
Ah, sim, água. Quase esqueci de mencionar de tão… óbvia? que é. Mas é importante.
A desidratação acaba com o desempenho cognitivo. Até estar um pouco desidratada me deixa lenta. O foco vai, a memória vai, tudo fica mais difícil.
Mantenho uma garrafa na mesa. Tento beber ao longo do dia, mas nem sempre consigo. Tem dias que às 15h percebo que tomei um copo de água o dia todo, e aí bebo como se tivesse acabado de correr uma maratona.
Mas quando de fato me hidrato, a diferença é enorme. É simples, mas importa. Muito mais do que eu pensava.
E os suplementos?
Já testei vários para o cérebro. Óleo de peixe, vitaminas do complexo B, ginkgo biloba (foi uma fase), de tudo. Tenho uma gaveta cheia de suplementos que comprei e depois esqueci de tomar.
Alguns parecem ajudar um pouco. Óleo de peixe, talvez? Não tenho certeza. Vitaminas B… pode ser? Sinceramente não sei dizer se fazem algo ou se é placebo.
Sou bem cética com a maioria dos suplementos. A indústria é… pouco regulada, digamos. Então você nunca sabe direito o que está tomando.
Minha opinião? Tire os nutrientes da comida quando puder. É sempre melhor. Mas se for tomar suplemento, o óleo de peixe é o que tem mais evidência. Eu tomo às vezes. Noto diferença? Difícil dizer. Mas provavelmente não faz mal.
Resumindo
Foi o que aprendi: comida afeta o cérebro. Não é polêmico, é só como funciona.
Para mim importa MUITO. Quando como bem, penso melhor. Quando como mal, penso pior. Simples assim.
Não precisa ser perfeito. Eu definitivamente não sou. Só preste atenção. Repare em como diferentes alimentos fazem você se sentir. Coma mais do que te deixa afiado. Coma menos do que te deixa lento.
E lembre: o seu cérebro está sempre trabalhando. Mesmo enquanto você dorme. Então dê a ele bom combustível. Ele vai agradecer.
Ou pelo menos não vai te punir com névoa mental. O que dá quase no mesmo, né?
Sobre Sarah Chen
Sarah is a cognitive science enthusiast and the creator of Train The Brain. She writes about brain training based on both research and personal experience.