Idade e treino cognitivo: o que funciona em cada fase da vida
Tenho 42 anos. É estranho escrever isso porque não me sinto com 42, mas é o que é. Treino o cérebro de forma intermitente há uns 12 ou 13 anos. Comecei no fim dos vinte.
Naquela época, as melhoras vinham rápido. Bem rápido. Eu jogava uma semana e as minhas pontuações davam um salto. Tudo parecia mais fácil. O meu cérebro parecia mais flexível.
Agora? É diferente. As melhoras são mais lentas, mais graduais. Mas ainda acontecem, que é o importante. E, sinceramente, os benefícios parecem mais importantes agora. Quando noto que a minha memória ou o meu foco estão melhores, importa mais do que quando eu tinha 28.
Também conversei sobre isso com muita gente: a minha mãe (setenta e poucos), a minha sobrinha (16), amigos de 30, 50 e 60. E o que funciona varia claramente com a idade.
Nos vinte e nos trinta (os anos «de pico»)
Supostamente é quando o seu cérebro está no auge. Você aprende rápido. Se adapta rápido. Tudo parece fácil.
Lembro de pensar aos 20: «para que treinar o cérebro? Ele funciona bem». E funcionava! Mas, olhando para trás, queria ter começado antes.
O problema quando você é jovem é que não sente que precisa. Para que consertar o que não está quebrado?
Mas os hábitos que você constrói agora importam. Se você começa aos 20 ou 30, está criando uma base, circuitos neurais que vão te servir depois. E até cérebros jovens melhoram: já vi pessoas de 20 e poucos anos saírem da média para bem acima em memória de trabalho e tempo de reação.
O meu conselho: comece já. Mesmo sem sentir que precisa. O seu eu futuro vai agradecer.
O que funciona:
- Jogos rápidos que desafiam o tempo de reação
- Tarefas de memória complexas
- Jogos de lógica e resolução de problemas
- A variedade é chave: misture com jogos como Cálculo Rápido ou o Teste de Stroop
Nos quarenta e nos cinquenta (onde eu estou)
Esta é a minha faixa etária. E é quando você começa a notar coisas. «Espera, por que eu vim para este cômodo?» acontece com mais frequência. Os nomes escapam mais rápido. Você se sente menos afiado. É sutil, mas está lá.
É normal. Mas também é quando o treino cerebral se torna mais importante.
A boa notícia: o seu cérebro continua muito plástico (capaz de mudar). Você ainda pode melhorar. Aliás, alguns estudos mostram que adultos de meia-idade estão entre os que mais melhoram, provavelmente por terem mais margem.
Notei que a constância importa MUITO mais agora do que aos 20. Não posso jogar de vez em quando e esperar melhoras. Tem que ser parte da minha rotina.
O que funciona:
- Jogos de memória (a memória de trabalho começa a declinar)
- Jogos de atenção e foco
- Prática regular e constante
- Mistura de habilidades, como Memória de Números e Memória Visual
Nos sessenta e além (os anos importantes)
É quando o treino cognitivo pode REALMENTE fazer diferença. O declínio cognitivo ligado à idade é real, já vi nos meus pais e avós. Mas não é inevitável. O treino cerebral pode ajudar a manter e até melhorar a função cognitiva.
A pesquisa é bem clara: pessoas mais velhas PODEM melhorar com o treino cerebral. Muitas vezes mostram melhoras mais marcantes que os mais jovens, provavelmente por terem mais margem.
A minha mãe, com setenta e poucos, começou a jogar depois que contei a minha experiência. Ela viu melhoras reais. A memória e o foco dela estão melhores. Está mais afiada.
O que funciona para pessoas mais velhas:
- Jogos de memória (importantíssimo: a memória de trabalho começa a declinar)
- Jogos de velocidade de processamento (também importantes)
- Jogos que desafiam várias habilidades (a variedade é chave)
- A constância é CRUCIAL (mais que a intensidade)
- Não tenha medo de se desafiar (você é capaz de mais do que pensa)
A chave: não desista. O seu cérebro ainda pode melhorar. A idade não é uma barreira. Vi com os meus próprios olhos.
As verdades universais
Em qualquer idade, algumas coisas são sempre verdade:
A constância importa. Jogar uma vez por semana não faz muito em nenhuma idade. Pelo menos 3-4 vezes por semana, idealmente todo dia.
A variedade importa. Não jogue só um jogo. Treine habilidades diferentes.
O desafio importa. Se um jogo é fácil demais, você não melhora. Aumente a dificuldade quando puder.
A paciência importa. As melhoras levam tempo. Meses, não dias.
A minha experiência
Comecei no fim dos vinte. Naquela época as melhoras vinham rápido e era empolgante. Depois desaceleraram, mas continuei porque o hábito já estava formado.
Agora, nos quarenta, as melhoras são bem mais lentas. Mas ainda acontecem. E parecem mais importantes: cada pedacinho de melhora conta. Pretendo continuar treinando enquanto puder. Vi a pesquisa sobre pessoas mais velhas e quero esses benefícios.
Resumindo
O treino cerebral funciona em qualquer idade. O que muda é o ritmo da melhora e os benefícios específicos que você verá.
Os jovens melhoram mais rápido, mas podem não sentir a necessidade. Os mais velhos melhoram mais devagar, mas se beneficiam mais das melhoras.
A chave é começar. Comece já, seja qual for a sua idade. Construa o hábito. Seja constante. E não desista. O seu cérebro é capaz de melhorar em qualquer idade.
Sobre Sarah Chen
Sarah is a cognitive science enthusiast and the creator of Train The Brain. She writes about brain training based on both research and personal experience.